A vida de Rubens Furlan
A força dos ideias. A busca pela justiça. A fé no futuro. Características do jovem que venceu as adversidades.

Rubens Furlan com 10 anos de idade

Madrugada morna de verão. Passa das 4 horas e Beatriz começa a sentir as dores do parto. Acorda o marido, Antônio, e pede para chamar a sogra e a parteira. Rubens Furlan nasceu em casa, de parto normal, às 6h10min. Amanhecia o dia 12 de dezembro de 1952.

O pai era da Força Pública, hoje Polícia Militar, e a mãe, do lar. Infância difícil, mas feliz.

Rubens começou a trabalhar aos 9 anos, como entregador do jornal Cruzeiro do Sul. Trabalhava com o irmão Celso, dois anos mais novo. Juntaram dinheiro e conseguiram comprar uma bicicleta. Foi uma felicidade. Aos domingos, Rubens sempre deixava por último a entrega do jornal para Artidoro Mascarenhas, o doutor Pitico, prefeito de Sorocaba. E o doutor Pitico fazia questão de receber o garoto, servir-lhe suco de laranja e conversar.

Rubens conhecia muita gente. Parava no barbeiro, no açougue, na quitanda e participava das conversas dos adultos. Quando alguém falava mal do prefeito, Rubens relatava no domingo, durante o suco de laranja. Quando alguém elogiava a atuação do prefeito, o garoto reportava também. Aos 10 anos de idade, revelava-se um agente político precoce.
Em 1966 a família Furlan transferiu-se para Barueri. Rubens tinha 14 anos e o seu jeito de falar, puxando o "r" era motivo de chacota entre os colegas da escola. A saída foi abusar das gírias "morou", "bicho" e "broto" para se defender do sotaque carregado. O fato é que sua popularidade já estava em alta.  Um dos primeiros amigos em Barueri foi Luís Roberto "Beto" Correa. Estudavam juntos e depois iam para o campinho de futebol que existia onde hoje está a igreja matriz de São João Batista. Gostavam do futebol, mas eram ruins de bola.

Isso se confirmava na hora de montar os times: Rubens e Beto eram sempre os últimos a serem escolhidos. Tinham melhor performance na paquera. E o lugar ideal para paquerar era o Grêmio Recreativo Barueriense, onde é hoje a Câmara Municipal. Rubens vendia sorvetes e doces na porta da escola Raposo Tavares e depois ia engraxar sapatos.

Já moço, aproveitava as férias para fazer transporte de chassis de caminhão. Rubens levava as peças até Assis e voltava de ônibus, chegando em São Paulo com o dia amanhecendo. Ia para a estação da Luz pegar o trem para São Caetano buscar outro chassi e levá-lo para Assis. Quando os chassis eram da Mercedes-Benz, Rubens levava-os para Botucatu, onde ficava a fábrica da Caio, conhecida empresa de carrocerias de ônibus.

Rubens e Beto costumavam frequentar reuniões do MDB, nas quais ouviam os discursos de políticos como Zé Camargo (foi deputado federal), Guaçú Piteri (foi prefeito de Osasco duas vezes e deputado federal) Reginaldo Valadão (foi vereador e deputado estadual), todos de Osasco.

Corria o ano de 1974 e Osvaldo Sammartino, tio de Beto Correa, receberia Carvalho Pinto (que foi governador de São Paulo, era senador e candidato a reeleição, pela Arena, a Aliança Renovadora Nacional).

Rubens Furlan pediu ao diretor da escola que os liberassem para a reunião política. O diretor não autorizou. Beto acatou a proibição, mas Rubens, indignado, convenceu o amigo a pularem o muro da escola e irem à reunião com Carvalho Pinto. A façanha custou três dias de suspensão e a perda de tres provas. Ficaram fascinados com o discurso.

Certa vez a escola em que Rubens estudava promoveu uma excursão para o programa do Canarinho, na extinta TV Tupi (hoje SBT) cujos estúdios ficavam na Pompéia, bairro paulistano. Convidado para ir ao palco participar do jogo das cadeiras, Rubens, então com 16 anos, venceu a gincana e voltou para casa feliz da vida. Acreditava que todos em Barueri tinham visto sua performance no programa. Naquele dia, mais uma vez, faltou energia na cidade e ninguem viu sua primeira aparição na TV.


A estréia de Furlan na vida pública.

Rubens na câmara municipal

O mergulho na vida pública passa por dona Beatriz, a mãe. Um dia, na janela da residência, viram "Xurição". Rubens comentou com a mão que ele era candidato a vereador e dona Beatriz desafiou: - Porque você também não se candidata a vereador? Candidatou-se. O primeiro passo foi procurar, sem sucesso, Irani de Almeida, um líder político da época. Dias depois, lavando seu taxi, Rubens encontra o amigo. Daniel Engle, que o estimulou a conversar com Carlos Raimona, o "Batuta", eterno candidato pelo distrito do Jardim Silveira. Rubens foi e ganhou uma vaga na legenda. Dias depois em um churrasco, Batuta mudou de idéia e disse que o jovem, que debutava na política, seria seu candidato a vice-prefeito. Rubens foi carregado nos ombros.

Dias mais tarde, estava no escritório de Beto Correa, próximo a estação ferroviária, quando chegou Arnaldo Rodrigues Bittencourt. Ex-vereador, ex-prefeito, de novo candidato, era o franco favorito para ser outra vez prefeito da cidade. Bittencourt quis saber quem era Rubens Furlan, de quem ouvia falar muito bem. Ao ser apresentado observou, sem grande entusiasmo:  - Mas você é muito menino!.  Começaram a conversar sobre eleição e o "menino" disse que queria mesmo era ser vereador. Bittencourt propôs: - Se o Batuta não quiser que você saia a candidato a vereador com ele, venha aqui que te arrumo um lugar.


Furlan é eleito vereador

Rubens Furlan procurou Batuta e colocou suas intenções a ser candidato a vereador, e não a vice-prefeito. Batuta foi irredutível. - Ou vice ou nada, impôs. - Então nada, respondeu o "menino".

Rubens vai a Bittencourt e consegue a última das 13 vagas a que o MDB tinha direito par compor a chapa de candidatos a vereança. Foi uma campanha tímida, mas para Rubens Furlan, apaixonante. Muito entusiasmado com a luta pela redemo-cratização no país e muitos sonhos com o destino da cidade, Furlan conseguiu se sobressair no cenário daquelas eleições.

Na época, o vereador não tinha salário e Furlan queria a função por puro idealismo. Reuniu sua família e amigos em torno da candidatura. As camisetas foram pintadas em casa e as bandeiras feitas com bambú da Chácara dos Padres.

Primeiro comício. Também primeiro discurso na campanha para vereador em 1976, Bittencourt era candidato a prefeito. Ao perceber o nervosismo de Furlan ao pegar o microfone, disse as palavras: - Fala moleque. Daí pra frente não parou mais. Estava nascendo o político e orador Rubens Furlan. A campanha foi um sucesso e ele saiu como vereador mais votado, superando Tarzan (Antônio Carlos dos Santos) o campeão em votos na eleição anterior. Foram 570 contra 542 de Tarzan. Ao final, Furlan cerra o punho e comemora:

- Venci o Tarzan, vou ser o prefeito dessa cidade.


De vereador a prefeito, Furlan enfrenta dificuldades conquistas

A vida pública de Rubens Furlan pode ser atribuída a Barueri, a cidade que o fez nascer politicamente.

No dia primeiro de fevereiro de 1977, na condição de vereador mais votado nas eleições, Furlan preside a sessão de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito eleitos, e faz o seu primeiro pronunciamento:

"É com muita honra que participo do Legislativo de Barueri. É com muita honra que aceitei a confiança dos eleitores em 15 de novembro e é com consciência que assumo o Legislativo de Barueri. Eu sei que serão quatro anos de muita luta, quatro anos de muito trabalho. Sei também que muito podemos fazer, não sei o quanto, mas sei que podemos lutar e o resultado da nossa luta será, sem dúvida nenhuma, aquilo que Barueri e o nosso povo esperam da gente. Aqueles que nos confiaram tenho certeza absoluta que ao final do mandato não se arrependerão de nos ter confiado. O povo fez por nós, agora faremos pelo povo".


Furlan é eleito prefeito pela primeira vez


Desde o início, Rubens foi pelo povo

Uma emenda constitucional estende para seis anos o mandato de prefeito e vereadores e Furlan sai da Câmara Municipal para assumir a prefeitura e fazer ainda mais: "aquilo que Barueri e o nosso povo esperam da gente".

As coisas nunca foram fáceis para Furlan e Barueri. Daí que desenvolveu a garra para buscar conquistas. No dia de sua primeira posse como prefeito, uma grande tempestade cai sobre a cidade. Furlan não consegue voltar para casa já que a cidade estava inundada. Sua esposa, Dona Sônia, grávida de Bruna, dorme na casa de amigos. Seu primeiro ato como prefeito foi declarar calamidade pública na cidade que tanto amava. O homem que sabia bem o que era dificuldade e sofrimento é mais uma vez testado em sua força. Ele vai para as ruas ajudar as pessoas. Teve ali sua alma lavada pelas chuvas e o pranto de sua gente.

Prefeito em seu primeiro mandato vai sonhando e realizando. E realiza na medida do que é possível, sonhando, por exemplo, com uma escola técnica, sabendo que precisa, antes, ampliar o atendimento na educação pré-escolar. Pede uma escola Senai para a cidade e lamenta por não conseguí-la. Consegue instalar o Pronto Socorro Infantil ao ver o número elevado de crianças que passam pelo atendimento no PS central e apenas sonha alto com o Hospital Municipal.

Certa manhã recebe a visita de diretores do BCN (banco que depois é incorporado pelo Bradesco) que está se instalando em Barueri. Conversam sobre a cidade a necessidade de trazer investimentos e mais recursos orçamentários.

Discutem as taxas, tributos e outros impostos até que Furlan propõe reduzir a alíquota de ISS desde que o banco repasse o benefício para seus contratos. E, assim é feito. Vários fornecedores do BCN também decidem transferir-se para Barueri. O incentivo representa para as empresas um ganho e, para o município, um substancial aumento na arrecadação.


Um administrador visionário que deu um exemplo para o Brasil


Em maio de 1987, uma publicação que circulou na região na segunda aos anos 80, promove um encontro com cinco prefeitos de cidades da região: Humberto Carlos Parro, de Osasco, Luiz Carlos Neves, de Carapicuíba, Antonio Brito Pedro, de Pirapora do Bom Jesus, Roberto Piteri, de Jandira e Rubens Furlan, de Barueri.

Em certo momento do encontro, o prefeito de Barueri é indagado sobre o ISS. Eis o que responde: "- Nós já fizemos bastante por isso. Hoje a nossa receita de ISS significa 30 a 35% da nossa arrecadação total, porque incentivamos a vinda de empresas que paguem esse imposto. Um exemplo disso foi quando diminuímos algumas alíquotas de alguns serviços.

O pequeno comércio paga por estimativa e já tem sobre si uma carga tributária muito grande. Não podemos apertar mais o nosso comércio que já é pequeno e dessa forma poderá ficar menor ainda."


Além de prefeito, Furlan foi deputado estadual e federal


Furlan e Sônia, no dia da
diplomação na Assembléia
Legislativa

A trajetória plena de Furlan como político foi se concretizando aos poucos, desde 1.977 quando se elegeu vereador. Ele passou por quase todos os cargos eletivos possíveis, já que foi Vereador e Prefeito( por 4 vezes), mas Furlan também foi Deputado Estadual e Deputado Federal.

Furlan foi Vereador de 77 a 82, sendo Presidente da Câmara entre 79 e 81. Foi Prefeito de Barueri entre 83 e 88 se elegendo, em 1.991, deputado estadual com a 4ª maior votação de todo o estado de São Paulo.

Em 93 se elege novamente prefeito (segundo mandato) e, em 98 – depois de terminar seu mandato de prefeito, – elege-se Deputado Federal com a 3ª maior votação do Estado de São Paulo e a 5ª maior votação do país. Como Deputado Federal caracteriza-se por sua combatividade e por sua luta pelas causas sociais da população do Estado de São Paulo.

Em 2.004 é novamente escolhido pelo povo de Barueri para dirigir os destinos da cidade e em 2.008 renova o mandato de prefeito por vontade popular. Em dezembro deste mesmo ano – 1987 – Rubens Furlan sanciona e promulga a lei 627, que estabelecia novas alíquotas para atividades em mais de uma centena de serviços. Essa atitude dá feições definitivas à política de baixa tributação que já vinha sendo praticada em doses homeopáticas.

Em 1993, três meses depois de assumir pela segunda vez, a prefeitura de Barueri Rubens Furlan assina nova lei que altera alíquotas do ISS.

Furlan fala: - Dez anos atrás foi iniciada a política de atração de novas empresas, por entendermos a importância e a necessidade delas no desenvolvimento da cidade. O diretor jurídico da Edisa HP, à época, Euclides Rosa Filho admitiu que o estabelecimento do ISS em 0,5% para a área de software, "certamente mobilizará as empresas". O administrador visionário é aplaudido em todo o país. O Brasil passa a conhecer Rubens Furlan. Muitas conquistas advém da melhora da arrecadação.

O acanhado Pronto Socorro Infantil que funcionava em acomodações do PS central se transferiu para um prédio com mais de 2 mil metros quadrados. O Hospital Municipal também é entregue para a população.

Dar o passo na medida das pernas é a receita. Em Barueri, Rubens Furlan conseguiu a proeza de alongar as pernas, para ampliar o passo.

Parte do texto foi extraído do livro: “Furlan 30 anos de vida pública”.


Furlan tem 89% de aprovação em pesquisa do Governo do Estado

O prefeito de Barueri, Rubens Furlan, PMDB, foi o chefe do Executivo do Estado com o maior índice de aprovação, de acordo com pesquisa recente encomendada pelo Governo do Estado.

De acordo com o próprio governador José Serra, que reuniu-se com os prefeitos, a pesquisa avaliou a atuação dos administradores em setores como saúde, educação, cultura, segurança, entre outros.

“O prefeito Furlan foi o que recebeu o maior número de aprovação popular. Teve 89% de munícipes que estão muito satisfeitos com a forma de governo de Furlan”, anunciou José Serra.

Durante a reunião, o governador apresentou aos participantes números detalhando os resultados do município. Alguns prefeitos tiveram média entre 50% e 65% de aprovação. A cidade de Barueri foi a última a ser analisada.

Furlan salientou estar satisfeito ao ver o reconhecimento de seu trabalho. “Quando assumi a prefeitura, prometi a todos fazer deste o maior governo da história desta cidade. Não tenho poupado esforços. É muito trabalho diário e – resultado como este – só me faz acreditar no reconhecimento do povo e que estou percorrendo o caminho correto”, salientou.